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ESCOLHI VIVER – Um ensaio sobre o que o sucesso é ou pode ser

Há uns anos escolhi viver.

Fui criada para estudar, ser boa aluna, para ter um bom emprego, trabalhar por conta de outrem, ter um trabalho para a vida e ter sucesso.

E tive.

Andei pela ONU, pela rádio, e sempre que me indicavam voos maiores, não tinha medo, mas alguma coisa me dizia para não continuar. E não continuei.

Há coisas que não me fazem sentido nenhum. A busca pela fama, pelos 5 minutos de atenção, pelo sucesso. Não me faz sentido. Algures pelo caminho, percebi que tudo é uma consequência das nossas opções e o sucesso também o é. Comecei a medir o meu sucesso pelo gosto que colocava nas coisas e pelas horas de sono que investia nas coisas, só pelo gosto de investir e pelo thrill que me dava!

Pensar, estudar, procurar e falar com pessoas que sabem e a quem posso fazer perguntas de forma livre e que me respondem, é o meu enorme sucesso. E tão grande que é este sucesso! O meu sucesso é proporcional às pessoas que conheço e que me ensinam muito todos os dias: sejam clientes, amigos ou colegas. O meu sucesso é por isso enorme!

A autonomia que conquistei pelo caminho para dizer que sim e dizer que não às propostas que me fazem, dão-me uma enorme sensação de sucesso, e claro de respeito: do respeito que as empresas que me contratam têm por mim e do respeito que tenho por elas.

Tenho por princípio ser cordial sempre. E bem-educada. Respondo a todas as mensagens que recebo, mesmo às que depois evoluem para conversas que não me servem ou despropositadas. Respondo até para dizer que vou deixar de responder.

Atrevo-me a dizer até que foi quando encontrei o egoísmo que encontrei o profundo altruísmo: altruísmo na vida e no trabalho. Foi quando soube os meus limites, quando soube o que queria para mim, quando soube os meus tempos, que pude dar tudo no trabalho e na vida. Agora, se digo que não, é porque não posso ou não me serve e assim sou justa e leal comigo e com os meus clientes. Hoje sou profundamente egoísta e profundamente altruísta.

Sucesso para mim é isto: não é o vazio de uma vida de fotos bonitas nas redes sociais e legendas que reproduzem a ditadura da felicidade. Sucesso para mim é: poder estar, viver e sentir e claro, trabalhar bem.

O meu sucesso nunca se vai medir nas viagens que fiz e que felizmente foram muitas. Nunca se vai medir nas que poderei fazer de agora em diante. Eu viajo nas pessoas que conheço. O meu sucesso vai-se medir sempre nas pessoas com quem estou e posso estar. Na minha presença, no meu cuidado, na minha dedicação e na minha atenção. E por isso, na vida que tenho e quero ter. E por isso nas minhas pessoas e nas pessoas que pelo meu trabalho e que quero conhecer.

O meu sucesso é isso mesmo: meu. A minha vida, a minha métrica e as minhas regras. Que são regras dinâmicas e nas quais pode entrar quando quiser.

O meu sucesso não é o que ouve de mim ou o que dizem de mim. Porque somos seres de relação, serei sempre diferente quando me tratar de forma diferente. Sempre educada se me tratou assim. Sempre respeitosa, se para mim o foi. E serei insubordinada (ainda que educada) se me quis passar a perna ou se foi maldoso/a, isso será sempre uma garantia: no momento em que percebo que sou objeto nas mãos de alguém, deixo de o ser, de forma mais ou menos repentina.

O meu sucesso mede-se no sorriso do meu rosto. Olhe para mim? Acha que sou bem-sucedida?

O meu sucesso mede-se nas segundas-feiras que adoro e nas sexta-feiras também, já que posso programar ainda mais tempo com as minhas pessoas.

O meu sucesso mede-se nos livros que leio, mas também nos blogs e nos posts que vejo. Em tudo que leio e bom e em tudo que leio de mau. Em tudo o que observo. Nas palavras que escrevo (nas que guardo e nas que partilho). O meu sucesso está nas minhas palavras soltas e nas opiniões que posso dar e partilhar de forma verdadeira. Está em não querer invadir ninguém e no saber estar e ficar quando me dizem que não, para não entrar.

O meu sucesso está na música que ouço e que corre constantemente em todo o lado onde vou. Está na arte, sempre na arte que observo, seja ela qual for. Mas acima de tudo está nas pessoas. Está em si que me lê aqui e na mensagem que me vai enviar (ou não!). O meu sucesso nunca vai estar num bom título aqui no Linkedin.

O meu sucesso está nestes pequenos “tudos”. E é mesmo tão bom.

Com isto, concluo a dizer: quando faço coaching, percebo um padrão: queremos todos sentir-nos bem e claro que sim, é isso. Queremos todos fazer o bem. Queremos todos ter tempo. Queremos todos ser vistos. Queremos todos ser amados. Andamos a empatar dias para correr atrás disto. O os dias passam… E passam mesmo. E o nosso maior objetivo, que é encontrar a felicidade, perdeu-se no meio dos minutos, dos segundos, das horas e do trabalho, das formações e dos diplomas. E do dinheiro. E lá se foi a vida. Foi-se o sucesso e foi-se a felicidade.

E o seu? O seu sucesso? Como tem ido? Qual a sua métrica para o medir?

Artigo publicado no Linkedin no dia 9 de fevereiro de 2020.

Anabela Moreira | HR Consultant, Coaching, Copywriting, Mentoring and Training

Viajou por muitos países, conheceu muitas pessoas e muitos lugares. Aprendeu com todas as pessoas que observou e com quem conversou. Trabalhou em Portugal, na Bélgica, nos EUA e em Angola. Hoje desenvolve o seu trabalho na área da gestão de pessoas (recursos humanos), formação, coaching e mentoring. E escrita, adora escrever. Assumiu diferentes funções e colaborou com empresas em diferentes estados de maturação, quer em ambiente nacional, quer internacional. Desempenhou funções relacionadas com: gestão do talento e tarefas inerentes; gestão de recursos humanos em sentido lato e formação e desenvolvimento. A nível académico, estudou direito na Universidade de Coimbra, mas foi em Psicologia e no Porto que encontrou a sua verdadeira vocação. É certificada em Coaching, PNL e estuda todos os dias mais um pouco, vê mais um pouco, ouve mais um pouco para poder ser mais cultivada. Hoje gere a UpTogether Consulting e trabalha com pessoas, para pessoas. Faz programas de shaping leaders e reshaping leaders e gosta muito do que faz. Costuma dizer às crianças que forma enquanto voluntária em educação para os direitos humanos: “quando mais soubermos, quanto mais conhecemos e sentimos, menos somos enganados”. Enfrenta cada dia com uma enorme alegria que é simples de ver e sentir!

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