O segredo escondido do recrutamento e as 5 razões que o fundamentam

Os recrutadores e consultores de RH dedicados à área de recrutamento e gestão de talento estão sempre à procura de ferramentas que possibilitem legitimar as boas escolhas de pessoas profissionais, competentes e íntegras para os postos de trabalho que têm em carteira para os seus clientes.

Muitas pessoas candidatam-se a formações altamente qualificadas para aplicar testes de comportamento como o DISC ou de personalidade, como o MBTI, e formações de body language, micro-espressões faciais, padrões de linguagem, entre muitas outras. E fazem bem, porque de facto a biblioteca de aprendizagem sobre o ser humano será sempre ilimitada e never ending.

Legitimando toda a formação, da qual sou grande adepta e acredito que a boa formação, a boa educação (em casa, liceal e académica-superior) mudam de facto o mundo e que qualquer assunto, devidamente debatido tem sempre como resolução a questão da educação/formação (ou a falta dela), incentivo a que continuem a fazer, com formadores/as competentes, conhecedores, curioso e qualificados.

No entanto, penso ter descoberto o segredo escondido do bom recrutamento e de tão simples que é, andou a escarpar-nos este tempo todo.

10 anos de consultoria de RH, de pensar soluções para questões frequentes de RH, como: recrutamento da pessoa certa (recrutamento fit); engagement; compensação e benefícios (mais recentemente o salário emocional); entre outras igualmente necessárias, percebi um padrão: as pessoas com  (associada a uma religião ou não – também podem escolher chamar de esperança), com motivação (delas, não auto-motivação que isso não existe, a motivação é sempre nossa, sempre auto, como um carro que conduzimos todos os dias, se for de fora é reforço positivo ou outra coisa, não motivação), com resiliência (tal como na engenharia dos materiais, a capacidade de esticar um material e fazê-lo voltar ao mesmo lugar como antes), com endurance (igual a fazer um Paris-Dakar com tudo o que é necessário para isso, mas dentro de uma empresa) e sobretudo com presença (como um adepto de um clube perdedor que comparece sempre ao estádio para ver o jogo), fazem a 5 razões que fundamentam o que vou dizer: contratem só Sportinguistas para as vossas empresas e organizações!

Contra mim falo, já que sempre fui Menina Azul desde que me lembro, mas de facto, o padrão está aqui: pessoas altamente treinadas pela cultura do futebol para serem pessoas de fé/esperança (que sempre jogou no verde), pessoas altamente motivadas para verem os jogos e que transpõem isso no dia-a-dia também; pessoas resilientes porque o clube cai mas elas não caem; a endurance é permanente: completamente doridos, com estilhaços da “guerra” anterior, mas comparecem na próxima com a fé de que será melhor, aguentam as críticas constantes, os memes, as piadas e sobretudo presidentes loucos e sobretudo com imensa presença, porque nunca abandonam o clube.

Podem considerar uma brincadeira o que digo e sobretudo altamente discriminatória e de facto é. Mas eu posso fazê-lo porque os padrões que observei e que fui anotando me permitem dizer isto. Posso fazê-lo sobretudo porque gosto de futebol e aprendi muita coisa a observar futebol. Aprendi que uma mulher deve estar calada porque vai ser sempre subestimada em termos de analise de jogo e aprendi fair-play, ou seja, o jogo pela bola nos pés e o jogo emocional, e sendo azul, respeito o verde e respeito o vermelho e respeito muito o preto e branco e sobretudo o preto no branco.

Agora, brincadeiras à parte, recrute nesta base e terá sempre sucesso:

1) Aferir fé/esperança: aplique exercícios dantescos, catastróficos da empresa, venda a insolvência imediata da empresa e veja se as pessoas têm fé de que de facto podem fazer a diferença na recuperação;

2) Pessoas motivadas: trabalhe o lado pessoal, o que as faz ser quem são, as histórias e as histórias dentro das histórias, o CV já o tem, não é? Queira ver a pessoa.

3) Aferir a endurance: os padrões de persistência pessoal ditam os profissionais e por isso, veja a persistência, seja na vida, nas empresas, no querer, no saber e sobretudo no querer mudar!

4) Aferir a resiliência: uma palavra maldita e mal escrita, muda tudo para sempre. Queira pessoas resilientes, capazes de serem as mesmas após um e-mail mais emocional e forte, mas que de forma analítica não cedem e compreendem contextos e voltam a elas mesmas depois de perceberem;

5) Aferir a presença: hoje tudo serve para não trabalhar. O absentismo é uma frequente em muitas empresas e organizações: é o filho, é a gripe, é o Covid19, é a dor de barriga e sobretudo é a desmotivação. Afira de forma tranquila e não julgadora o que é de facto e trabalhe com isso a presença.

Contrate Sportinguistas.

Contrate Benfiquistas aguerridos pelo vermelho da bandeira que trazem ao peito para serem também Sportinguistas.

Contrate os Portistas, o azul e a imensidão do céu, do mar e da estratégica em campo para serem Sportinguistas.

Não contrate Boavisteiros. Cor pela cor, contrate a Briosa! – Brincadeira, tinha de fazer isto, vi muito jogo de graça só porque levava fato académico. Obrigada Briosa!

Contrate boas pessoas e faça por elas todos os dias.

No trabalho, na vida e no futebol, tudo é 50%/50% e só funcionará nesta proporção. Quis a pessoa? Faça por ela todos os dias. Ela quis o trabalho? Que faça por ele todos os dias.

E assim construímos o nosso clube dentro das nossas organizações e sabem que mais? Vencemos a Champions!

Anabela Moreira | Consultora, formadora, umas coisas mais e Portista sobretudo!

PUBLICADO: Linkedin, dia 28 de Maio de 2020

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Sobre Anabela Moreira

Viajou por muitos países, conheceu muitas pessoas e muitos lugares. Aprendeu com todas as pessoas que observou e com quem conversou. Trabalhou em Portugal, na Bélgica, nos EUA e em Angola. Hoje desenvolve o seu trabalho na área da gestão de pessoas (recursos humanos), formação, coaching e mentoring. E escrita, adora escrever. Assumiu diferentes funções e colaborou com empresas em diferentes estados de maturação, quer em ambiente nacional, quer internacional. Desempenhou funções relacionadas com: gestão do talento e tarefas inerentes; gestão de recursos humanos em sentido lato e formação e desenvolvimento. A nível académico, estudou direito na Universidade de Coimbra, mas foi em Psicologia e no Porto que encontrou a sua verdadeira vocação. É certificada em Coaching, PNL e estuda todos os dias mais um pouco, vê mais um pouco, ouve mais um pouco para poder ser mais cultivada. Hoje gere a UpTogether Consulting e trabalha com pessoas, para pessoas. Faz programas de shaping leaders e reshaping leaders e gosta muito do que faz. Costuma dizer às crianças que forma enquanto voluntária em educação para os direitos humanos: “quando mais soubermos, quanto mais conhecemos e sentimos, menos somos enganados”. Enfrenta cada dia com uma enorme alegria que é simples de ver e sentir!

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